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Os principais conceitos sobre derivadas foram introduzidas por Newton e Leibniz, no século XVIII. Tais ideias, já estudadas antes por Fermat, estão fortemente relacionadas com a noção de reta tangente a uma curva no plano. Uma idéia simples do que significa a reta tangente em um ponto P de uma circunferência, é uma reta que toca a circunferência em exatamente em um ponto P e é perpendicular ao segmento OP, como vemos na figura ao lado.
Ao tentar estender esta idéia acerca da reta tangente a uma curva qualquer e tomarmos um ponto P sobre a curva, esta definição perde o sentido, como mostram as figuras abaixo.
Nessas figuras, consideramos a reta tangente à curva no ponto P. Na primeira figura, a reta corta a curva em outro ponto Q. Na segunda figura, a curva está muito achatada perto do ponto P e a suposta reta tangente toca a curva em mais do que um ponto. Na terceira figura, a reta também é tangente à curva no ponto Q.
Para obter uma boa definição de reta tangente ao gráfico de uma função em um ponto do mesmo, vamos pensar que essa reta tangente é a reta que contém o ponto e que melhor aproxima o gráfico de f nas vizinhanças deste ponto. Assim, a reta tangente pode ser determinada por seu coeficiente angular e pelo ponto de tangência.
Seja a curva que é o gráfico de uma função contínua f. x0 e f(x0) são as coordenadas do ponto P onde se deseja traçar uma reta tangente. Seja agora um outro ponto Q do gráfico de f, descrito por (x0+h,f(x0+h)), onde h é o deslocamento no eixo das abscissas, ocorrido do ponto P ao ponto (Q$. A reta que passa por P e Q é secante à curva y=f(x).
A inclinação (coeficiente angular) desta reta é dada pelo quociente de Newton, definido como a razão incremental de f com respeito à variável $x), no ponto x0:
Se P é um ponto fixado e Q um ponto que se aproxima de P, ocupando as posições sucessivas Q1, Q2, Q3,⋯, as secantes ocupam as posições por PQ1, PQ2, PQ3,⋯ e as declividades (inclinações) dessas retas secantes ficam cada vez mais próximas da declividade da reta tangente.
Esperamos que a razão incremental, se aproxime de um valor finito k, à medida que o ponto Q se aproxima do ponto P, independentemente do fato que a abscissa de Q seja maior ou menor do que a abscissa de P, mas isto nem sempre ocorre, mas quando isto acontece, definimos a reta tangente ao gráfico de 0 no ponto P, como sendo aquela que passa por P e cuja declividade (coeficiente angular da reta) é igual a k.
O recurso analítico para fazer Q se aproximar de P, consiste em fazer o número h tender a zero, isto é, tomar os valores de h arbitrariamente próximos de 0.
Se o resultado assume valores positivos (negativos), cada vez mais próximos de zero, isto significa que a sequência de pontos Qj está se aproximando do ponto P pela direita (pela esquerda).
Quando h→0 e a razão incremental se aproxima do valor finito k, dizemos que k é o limite da razão incremental com h tendendo a zero e denotamos isto por:
O limite da razão incremental somente tem sentido se o mesmo existe. Neste caso, se a função f é contínua no ponto x=x0, então a reta tangente à curva y=f(x) no ponto P=(x0,f(x0)), é dada por:
Reta tangente a uma curva: Seja a parábola dada pela função f(x)=x2. O coeficiente angular da reta tangente a esta curva no ponto P=(1,1), é:
A reta tangente à curva y=x2 no ponto P=(1,1) é y=2x−1.
Quando h→0 (h≠0) e o quociente de Newton no ponto x0 se aproxima de um valor finito k, dizemos que este número k é a derivada de f no ponto x0, denotando este fato por:
desde que tenha sentido este limite. Se tal limite não existe, dizemos que não existe a derivada de f em x0. Se a função tem derivada em um ponto, dizemos que f é derivável (ou diferenciável) neste ponto.
Exemplo: A derivada da função f(x)=x3 no ponto x=1, é dada por:
A derivada de f(x)=x3 no ponto genérico x=c, é dada por:
A derivada de f(x)=x3 é denotada por f′(x)=3x2, pois
Reta normal ao gráfico de uma função: A reta normal a uma curva y=f(x) em um ponto P=(c,f(c)), é a reta perpendicular à reta tangente a curva neste ponto.
Como duas retas, com coeficientes angulares iguais a k1 e k2, são perpendiculares, se o produto k1k2=−1, logo, se k1=f′(c), o coeficiente angular da reta normal é:
e a reta normal é dada por
Existem outras notações para a derivada de y=f(x) com relação a x, como
mas, a mais comum é: dydx.
Notas: Se existe o limite, podemos escrever a derivada de outras formas.
Nem sempre a diferença exata Δf coincide com a variação dinâmica para f, definida como a diferencial de f, denotada por df. A diferencial de uma função contínua f no ponto x0 é definida por:
que pode ser justificada do ponto de vista geométrico. Já vimos que a equação da reta tangente à curva y=f(x) no ponto P=(x0,f(x0)) é:
Realizamos uma translação de todo o sistema para um novo sistema de coordenadas, cuja origem passa a ser o ponto P=(x0,f(x0)).
Usando dx=x−x0 e dy=y−f(x0) temos um outro sistema em que as variáveis são dx e dy, no lugar das variáveis antigas x e y. Indicando a nova curva transladada por y=f(x), obtemos a nova reta tangente a esta curva que passa pela origem (0,0) do novo sistema.
A equação da reta tangente é dada por:
cuja inclinação coincide com a diferencial de f no ponto x0. A translação para a origem deste novo sistema, é essencial para entender o processo de linearização, fato muito comum na Matemática aplicada.
Este processo informa que, ampliando bastante a vizinhança do ponto (x0,f(x0)) (com um zoom-in) nas vizinhanças do ponto P, obtemos praticamente duas retas se tangenciando, como podemos observar na figura, em anexo.
Como a derivada de uma função f em um ponto p é um caso particular de limite, então tem sentido calcular os limites laterais abaixo, à esquerda e à direita em p:
Quando tais limites existem, eles são, respectivamente denominados, derivadas lateral de f à esquerda em p e derivada lateral de f à direita no ponto p. Se ambos os limites existem e são iguais, dizemos que f possui derivada no ponto p.
Função modular: A função modular (valor absoluto) definida por f(x)=|x| tem derivada lateral à direita no ponto x=0 igual a +1 e derivada lateral à esquerda no ponto x=0 igual a −1, o que significa que tais derivadas laterais no mesmo ponto são diferentes. Para todo x≠0, as derivadas laterais à esquerda e à direita coincidem.
A função real definida por g(x)=|x|3 tem derivadas laterais sempre iguais em cada ponto x do seu domínio, o que significa que g=g(x) possui derivada em todos os pontos de R.
Existem funções que não possuem derivada em um ponto, embora possam ter derivadas laterais à esquerda e à direita deste ponto e ser contínua neste ponto.
Exemplo: A função modular (valor absoluto) definida por f(x)=|x|, não tem derivada em x=0, mas:
Nota especial: O exemplo anterior mostra que a continuidade de uma função em um ponto não garante a existência da derivada da função neste mesmo ponto, mas a recíproca é verdadeira, isto é, a existência da derivada de f em um ponto, garante a continuidade de f neste ponto.
Nota: Um termo comum na literatura sobre derivadas é a palavra suave. Dizemos que uma função derivável em um ponto é suave nas vizinhanças deste ponto, motivado pelo fato que, se o gráfico da função NÃO possui bicos, como a função modular, por exemplo, este fato implica na existência de derivadas laterais diferentes, garantindo que a função não tem derivada neste ponto.